À Espera de uma Vingança
9.05.2010 @ 12:26
Há trinta e uma carteiras nesta sala de aula. Trinta e uma cabeças voando enquanto dou minha explicação. Um aprende, outro fofoca, alguém manda mensagem pelo celular, outros ouvem música, alguns dormem. Alguns fingem interesse na matéria que ponho na lousa. Matéria que passei a noite inteira revisando porque eu me esforço no que eu trabalho. E dou o melhor de mim.
Finjo não ver porque não gosto de gastar meu tempo, minha garganta e minha saliva com estes pirralhos. Pois é assim que é. Eu acordo cedo, tomo meu café forte, e venho para este lugar. E o que encontro são crianças que não gostam de aprender. Crianças que gastam o dinheiro dos pais com escolas caras, com materiais caros, com livros caros. Tudo para apenas dar uns pega naquele garoto popular, ser invejada por todas, ser o garanhão, pegar todas as menininhas que aparecem, ser o mais foda, e pegar doenças. (Às vezes não é saudável pensar que estes serão o futuro do país)
Mas está tudo bem, enquanto eu faça meu trabalho estará tudo bem. Ainda ganharei meu salário, ainda terei minhas contas pagas no fim do mês, areia para a caixinha do gato, tinta para impressora ao imprimir provas que ferram meus alunos queridos, o psicólogo porque ninguém é de ferro, o plano de saúde porque ninguém é de ferro dois...
Eu deveria tentar reprimir o meu desejo obsessivo de matar todas aquelas 31 cabeças ocas... Uma por uma... E seria tão saudável! Meu psicólogo até aprova! Ele diz que é saudável bater em algo quando se está com raiva, e embora não seja recomendável, ele ainda prova que eu mate meus queridos alunos. Mas aí eu perderia o emprego...
Ferro com eles no fim do ano.
Aaaaah!, que eles me esperem no fim do ano!
Marcadores: Antiguidade, Contos Antigos, Nano, R para Romance
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Ren.
Respirar
7.11.2010 @ 09:13
Diante de meus olhos, você está se derretendo,
lentamente.
Suas pupilas se dilatam e eu estou perdendo o meu chão,
para sempre.
Um, dois, três e quatro!
Através dos meus olhos eu posso ver tudo o que está te aprisionando.
Você está sucumbindo, mas você sabe que
Eu não consigo respirar quando você fala.
As minhas palavras estão vazias e nem mesmo você pode encontrar sentido nelas
As nossas ações estão combinadas como se nós fossemos um só,
Mas nossos corações e nossas faces jamais caberão em um mesmo espelho.
Todas as vezes que nossos corpos se encontram
Todas as vezes que os seus olhares perfuram os meus.
Eu sei, eu tenho certeza, nós estamos todos mortos.
Marcadores: Antiguidade, Poema, Realidade, Você
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Ren.
À Espera de uma Vingança
9.05.2010 @ 12:26
Há trinta e uma carteiras nesta sala de aula. Trinta e uma cabeças voando enquanto dou minha explicação. Um aprende, outro fofoca, alguém manda mensagem pelo celular, outros ouvem música, alguns dormem. Alguns fingem interesse na matéria que ponho na lousa. Matéria que passei a noite inteira revisando porque eu me esforço no que eu trabalho. E dou o melhor de mim.
Finjo não ver porque não gosto de gastar meu tempo, minha garganta e minha saliva com estes pirralhos. Pois é assim que é. Eu acordo cedo, tomo meu café forte, e venho para este lugar. E o que encontro são crianças que não gostam de aprender. Crianças que gastam o dinheiro dos pais com escolas caras, com materiais caros, com livros caros. Tudo para apenas dar uns pega naquele garoto popular, ser invejada por todas, ser o garanhão, pegar todas as menininhas que aparecem, ser o mais foda, e pegar doenças. (Às vezes não é saudável pensar que estes serão o futuro do país)
Mas está tudo bem, enquanto eu faça meu trabalho estará tudo bem. Ainda ganharei meu salário, ainda terei minhas contas pagas no fim do mês, areia para a caixinha do gato, tinta para impressora ao imprimir provas que ferram meus alunos queridos, o psicólogo porque ninguém é de ferro, o plano de saúde porque ninguém é de ferro dois...
Eu deveria tentar reprimir o meu desejo obsessivo de matar todas aquelas 31 cabeças ocas... Uma por uma... E seria tão saudável! Meu psicólogo até aprova! Ele diz que é saudável bater em algo quando se está com raiva, e embora não seja recomendável, ele ainda prova que eu mate meus queridos alunos. Mas aí eu perderia o emprego...
Ferro com eles no fim do ano.
Aaaaah!, que eles me esperem no fim do ano!
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Ren.
Respirar
7.11.2010 @ 09:13
Diante de meus olhos, você está se derretendo,
lentamente.
Suas pupilas se dilatam e eu estou perdendo o meu chão,
para sempre.
Um, dois, três e quatro!
Através dos meus olhos eu posso ver tudo o que está te aprisionando.
Você está sucumbindo, mas você sabe que
Eu não consigo respirar quando você fala.
As minhas palavras estão vazias e nem mesmo você pode encontrar sentido nelas
As nossas ações estão combinadas como se nós fossemos um só,
Mas nossos corações e nossas faces jamais caberão em um mesmo espelho.
Todas as vezes que nossos corpos se encontram
Todas as vezes que os seus olhares perfuram os meus.
Eu sei, eu tenho certeza, nós estamos todos mortos.
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